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  • Redação - Árvore Seca

Especial bandas Festival Bem Ali: Joe Silhueta


Joe Silhueta

Por SideTrack Magazine


No último mês, quem acompanhou a Sidetrack Magazine, com frequência, deve estar por dentro de, praticamente, tudo o que vai acontecer no Festival Bem Ali deste ano, já que a nossa equipe tem feito entrevistas com todas as bandas anunciadas no line up da edição, na série que batizamos como “Especial Bem Ali”. Consequentemente, estou aqui hoje para falar sobre uma das descobertas que fiz em 2019. Em meio a livros, autores e outras cositas más, no que diz respeito ao mundo da música, fiquei sabendo de um grupo que um ano antes ainda não conhecia: Joe Silhueta.


Pergunto, dentro de minha cabeça que ferve quase sempre, como raios não havia ouvido suas canções anteriormente, seja pelo interesse que tenho no cenário da música independente brasileira, seja pela proximidade geográfica de onde estamos (esta que vos fala, escreve de Palmas (TO), enquanto a banda formou-se em Brasília (DF)).


Não obstante a minha perda de tempo, a nova descoberta se deu pelo Youtube, onde escutei, pela primeira vez, Café Amargo, do álbum Trilhas do Sol (2018). No meu quarto, enquanto corria meus dedos pelo telefone e conversava com amigas, ecoavam as seguintes palavras:

“Passe um café amargo, acenda o meu cigarro e cante para mim uma canção atroz, do tempo de seus bisavós, com voz de quem molhou os olhos numa tempestade. Eu tento tanto, meu amor, mas nunca posso. Lá fora está chovendo há horas e eu aqui secando”.

Lembro de ter pensado que ali tinha uma poesia sem fim! Não só nas palavras, mas nas vozes se encontrando, na melodia... Em todo o conjunto. Dando sequência, passei a escutar o single duplo Mil Léguas - Pesadelo em Mi Menor (2017), que também ganhou toda a minha atenção, com esta última dizendo baixinho:

“Quantas vezes vi o mar subir, quantas vezes eu vi os peixes voando, nas ondas que vão desabando e lavam as cidades e levam as cidades para lá. Impondo o medo ao mundo, que em menos de um segundo acabará”.

Em seu BandCamp, o grupo explica que “a ideia de lançar o single duplo Mil léguas / Pesadelo em mi menor está diretamente ligada a um período de luto pelo qual a banda passou em 2017. As músicas evocam essa atmosfera lúgubre, condensada através de imagens e paisagens aflitas, fatalistas. O ser e o mundo ligados por uma certa decadência. Partidas e despedidas – de nós mesmos e dos outros”.


Naquela mesma noite, segui ouvindo outras e outras canções. Recordo que coloquei o álbum Trilhas do Sol para tocar e sim, confesso, ainda tenho muito para conhecer e preciso explorar mais e mais do seu universo, mas foi uma felicidade grande saber que, muito em breve, terei a oportunidade de vê-los pessoalmente e, assim, experienciar suas ondas sonoras ao vivo e a cores. Tenho para mim que será uma apresentação e tanto!


Mas bem, depois de todas essas confissões, tão pessoais, a parte que mais lhes interessa chega finalmente. Não tem muitos dias, fiz algumas perguntas singelas ao grupo e eis aqui, logo após estas últimas palavras, as respostas que recebi. Pode entrar, Joe Silhueta!

1) Como surgiu o Joe Silhueta? Qual a história do grupo?

JS: No início era um projeto solo do Cobelo pra dar vazão a algumas composições mais trovadorescas, voz e violão, com um imaginário mais sombrio, onírico e mitológico. Mas com o tempo foi sendo incrementado: primeiro com a Gaivota e depois com a grogaiada toda. Na ocasião do lançamento do primeiro EP (“Dylanescas”, 2016), o Cobelo juntou várias cabeças, eram 8 músicos no palco mais uma dançarina de sapateado. Desse show acabaram ficando apenas (!) 7, que seguem juntos até hoje.


2) Como é tocar com tanta gente reunida?

JS: Nesse fuzuê entrou a oitava integrante, a Tâmara, que é nossa produtora e tá com a banda desde os primórdios também. A gente sempre escutou que estamos viajando de ter uma banda tão grande, que não é prático, não é funcional, isso & aquilo. Mas não imaginamos a banda mais enxuta, todos parecem tão necessários! Apesar de ser trabalhoso, a gente realmente curte andar em bando, ser esse bicho de oito cabeças. Antes da Joe Silhueta nós já nos trombávamos em outras bandas, outras casas, apartamentos, festas. A amizade precede tudo. E todo mundo é muito figura, a gente se diverte até umas horas, mesmo quando tem que se espremer num palquinho pra caber todo mundo.


3) Musicalmente, quais as principais influências do grupo e o que os inspira na hora de criar?

JS: Um caldo bem forte de música brasileira, Zé Ramalho, Ave Sangria, Alceu Valença, Mutantes, Rita Lee, Marlene, Carmen Miranda, Secos & Molhados, Raul Seixas, Belchior, Júpiter Maçã, Plástico Lunar, Trio Nagô, The Baggios, Perfume Azul do Sol, Almirante Shiva, Rios Voadores, Letrux, Pássaro Vivo, Cátia de França, Elomar, Flaviola, Juvenil Silva, Léo Fazio, Satanique Samba Trio, Ana Frango Elétrico, Rubens da Selva, Pedro Pastoriz, Mustache & Os Apaches, Cidadão Instigado, Transquarto, Siba, Tom Zé, Ava Rocha, Negro Léo, Catavento... Umas proteínas gringas, Altin Gun, Jacco Gardner, Babe Rainbow, Spinetta, Piero, Stereolab, Bruno Pernadas, The Doors, Bob Dylan, Patti Smith, Incredible String Band, King Gizzard & The Lizard Wizard, Neil Young, Thelonius Monk, Mort Garson, Fleet Foxes, Shintaro Sakamoto, Ólof Arnalds... muita fumaça & umidade, histórias transpessoais, noticiário, literatura fantástica, poesia, filme de terror, conversas de pé na calçada, viagens, sonhos... Tudo isso conspirando pra inspiração feito lenha na fogueira, sem saber que a lenha é lenha, mas sendo.


4) Se um ouvinte que ainda não conhece o Joe Silhueta chegasse e perguntasse a vocês sobre o seu som, por quais músicas recomendariam que ele começasse, para ouvir e se iniciar no universo do grupo?

JS: Começando por músicas do álbum Trilhas do Sol, que lançamos em 2018 e representa bem o que é a banda atualmente: “Trilhas do Sol”, “Cateretê”, “Olhos Negros”, “Ícaro” e “Café Amargo”. Daí tem as músicas de trabalhos anteriores que também podem ser uma boa iniciação: “Ritos do Leito” e “Mil Léguas”.


5) Vocês já tocaram em vários festivais Brasil a fora, mas essa vai ser sua primeira apresentação no Bem Ali, em Palmas, TO. O que sabem sobre a cena independente da cidade e o que o público pode esperar do show?

JS: A gente tá muito feliz com esse convite pra tocar em Palmas! O Cobelo morou alguns anos com um pessoal que é palmense então sempre rolou essa onda de ir conhecer a cidade, o estado, enfim, até por ter toda essa semelhança com Brasília, as quadras, a configuração urbana cartesiana. A gente saca o som da Wizened Tree, que inclusive lançou um EP feroz recentemente pela Abraxas; tem a Soprü que acabamos conhecendo pela curadoria do festival e tem umas músicas bem bonitas. E tem também o malungo Juraíldes da Cruz, que não é recente, mas o Cobelo gosta bastante. Enfim, esse show vai ser um momento bem especial porque vai coincidir com o meio da turnê de 1 ano do nosso álbum, quem for ao festival vai pegar a banda bem aquecida por todos esses shows que a gente vem fazendo.


[INFORMAÇÕES SOBRE O EVENTO]

Data: 19 de outubro de 2019

Horário: 18 horas (abertura da casa) - 18h30 (início dos shows)

Local: Ahãdu Eventos

Endereço: Quadra 110 Norte, Alameda 5, 13 - Plano Diretor Norte, Palmas - TO

Classificação etária: 14 anos

Ingressos online: https://www.sympla.com.br/festival-bem-ali-2019__625612 ou nos pontos de venda oficiais, informados no site do evento.

Valores:

R$ 30 (lote promocional - ESGOTADO);

R$ 40 (primeiro lote); R$ 45 (segundo lote);

R$ 50 (último lote)

Site: https://www.bemali.arvoreseca.com.br/


Se você curtiu ver Joe Silhueta por aqui e está curioso para conhecer novos artistas ou ver seus grupos favoritos pelas bandas de cá, continue acompanhando o nosso especial. Mais conversas estão para chegar!

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Festival Bem Ali 2019 © Árvore Seca Produtora

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